Como calcular o custo de uma receita e de cada porção
O pacote inteiro não entra na conta de uma única receita. Veja como calcular a quantidade usada e comparar pratos com o mesmo critério.

Neste guia
Uma receita usa meia lata de milho, algumas colheres de óleo e parte do pacote de arroz. Quanto ela custa? Para descobrir, calcule o valor da quantidade usada de cada ingrediente, some os resultados e divida pelo rendimento. Essa conta é diferente do total que você paga no caixa do mercado.
Este guia mostra o caminho com números pequenos, um exemplo completo e uma calculadora ao final. Os valores do exemplo são hipotéticos, preparados em outubro de 2026 para ensinar a conta: não representam pesquisa de preços de uma cidade nem substituem os preços do seu mercado. Use sua nota fiscal e registre a data para chegar a uma estimativa útil para sua casa.
1. Separe a compra do consumo
Imagine um pacote de arroz de 1 kg comprado por R$ 6. Se uma preparação usa 300 g, o arroz custa R$ 1,80 naquela preparação. Os R$ 4,20 restantes continuam representados pelo arroz que ficou no pacote. Você desembolsou R$ 6, mas não consumiu tudo em uma refeição.
Essa diferença explica por que um cardápio pode ter uma soma de ingredientes menor do que a compra necessária para começar a semana. Quem está com a despensa vazia precisa comprar embalagens inteiras; quem já tem parte dos ingredientes talvez desembolse menos naquele dia. Nenhuma das duas situações torna o alimento gratuito: para comparar receitas, mantenha o mesmo critério de custo.
Nos nossos cardápios com lista de compras, a soma das estimativas das receitas ajuda no planejamento. Confira o que há em casa e os preços locais antes de definir quanto levar ao mercado. A soma não é um orçamento fechado de compras nem inclui automaticamente todos os acompanhamentos.
2. Anote três informações por ingrediente
Você precisa do preço pago, da quantidade comprada e da quantidade que vai usar. Trabalhe com unidades iguais: gramas com gramas, mililitros com mililitros, unidades com unidades. Um quilo equivale a 1.000 g; um litro equivale a 1.000 ml.
Custo do ingrediente = preço da embalagem × quantidade usada ÷ quantidade da embalagem.
Exemplo: uma garrafa de 900 ml de óleo por R$ 9. Usando 20 ml, o custo é 9 × 20 ÷ 900 = R$ 0,20. Não multiplique por 900 nem trate a garrafa como se tivesse um litro. Para ovos, divida o valor da caixa pela quantidade de ovos e multiplique pelos usados.
Uma xícara não tem o mesmo peso para todo alimento. Para refazer a conta com precisão, pese o ingrediente ou use a informação específica da embalagem. Não converta uma xícara de arroz e uma xícara de farinha para o mesmo número de gramas por conveniência. Registre também se o peso é cru, cozido ou escorrido; eles não são intercambiáveis.
3. Veja um exemplo completo, sem preço escondido
A tabela abaixo é uma simulação de uma preparação de arroz com legumes, com quantidades pesadas para o exercício. Não é a ficha de custo da receita publicada no blog, que tem medidas e rendimento próprios. Aqui, suponha que a preparação tenha rendido quatro porções iguais de acompanhamento.
| Ingrediente | Base de preço hipotética | Quantidade usada | Custo na preparação |
|---|---|---|---|
| Arroz cru | R$ 6 por 1.000 g | 300 g | R$ 1,80 |
| Cenoura | R$ 4 por 1.000 g | 150 g | R$ 0,60 |
| Milho escorrido | R$ 3,20 por 200 g escorridos | 100 g | R$ 1,60 |
| Cebola | R$ 5 por 1.000 g | 100 g | R$ 0,50 |
| Óleo | R$ 9 por 900 ml | 20 ml | R$ 0,20 |
| Alho e sal | Valor reservado apenas para este exercício | Quantidades do preparo | R$ 0,30 |
| Total de ingredientes | R$ 5,00 |
A conta por porção fica R$ 5 ÷ 4 = R$ 1,25 de ingredientes por porção de acompanhamento. Não confunda esse valor com uma refeição completa: se você servir carne, ovo, salada ou bebida, some o custo de cada complemento.
Para cozinhar uma versão com instruções completas, abra o arroz com cenoura e milho. Use as quantidades e o rendimento daquela receita ao calcular o seu preparo, sem transportar automaticamente os números desta simulação.
4. Considere cascas, ossos e peso escorrido
O preço por quilo da compra nem sempre corresponde ao preço por quilo aproveitável. Uma peça com osso e um corte sem osso podem ter aproveitamentos diferentes. Para comparar, pese o que comprou e o que realmente vai usar, mantendo um registro separado das partes aproveitadas em outro preparo.
Exemplo independente: você paga R$ 10 por 1 kg de um ingrediente e, depois da limpeza, obtém 800 g utilizáveis. Nesse exercício, cada 100 g utilizáveis custa R$ 1,25, pois 10 ÷ 800 × 100 = 1,25. Não aplique esse rendimento de 80% a qualquer alimento; ele serve apenas para entender a conta.
O material do Sebrae sobre formação de preço e ficha técnica explica o registro de ingredientes, rendimento e perdas de preparo. Para a cozinha doméstica, uma tabela simples já ajuda a enxergar essas diferenças.
5. Some os outros gastos com critério
A soma dos ingredientes é uma parte do custo. Gás, eletricidade e embalagens podem entrar em uma estimativa mais completa, desde que você indique como chegou aos valores. Não existe um adicional único que sirva para todo fogão, forno, tarifa e tempo de uso.
Se, apenas para simular, você acrescentar R$ 1 de energia ao preparo de R$ 5, o total passa a R$ 6 e cada uma das quatro porções a R$ 1,50. Esse R$ 1 é uma hipótese do exercício, não uma medição. Se não souber estimar a energia, apresente o resultado como “custo de ingredientes”, sem fingir que ele representa tudo.
Quem pretende vender precisa ir além: considerar trabalho, embalagem, taxas, perdas, custos do negócio e margem. Custo doméstico por porção não é preço de venda. Aqui, o objetivo é comparar pratos e organizar o orçamento da casa, sem prometer lucro nem recomendar um multiplicador universal.
6. Compare porções equivalentes
Uma panela que custa R$ 20 e rende oito porções sai a R$ 2,50 por porção. Outra de R$ 15 com quatro porções sai a R$ 3,75. A panela menor exige menos dinheiro naquele preparo, mas tem custo maior por porção nesse exemplo. A escolha depende também de quantas pessoas vão comer e do que será consumido depois.
Compare acompanhamentos com acompanhamentos e pratos completos com pratos equivalentes. O rendimento em porções depende do tamanho servido. Anote se a receita foi prato principal, acompanhamento ou lanche; uma porção pequena de arroz não deve ser comparada a um almoço inteiro.
Veja, por exemplo, a omelete de forno com legumes e o macarrão de panela única. Antes de escolher pelo custo anunciado, leia quantas porções rendem e quais complementos você pretende servir.
7. Monte sua ficha em cinco minutos
Escolha uma preparação que você faz com frequência. Em um caderno, registre nome, data, quantidade produzida e tamanho das porções. Depois faça uma linha para cada ingrediente, incluindo temperos e óleo. Ao lado, anote embalagem, preço pago e quantidade usada.
Some antes de arredondar o resultado final. Se trabalhar com centavos arredondados por ingrediente, saiba que o total pode variar alguns centavos. Atualize a ficha quando trocar marca, embalagem ou ingrediente, ou quando o preço mudar de maneira relevante para o seu planejamento.
Guarde a ficha junto da sua lista de compras da semana. Assim, a conta ajuda a decidir o que cozinhar e a lista impede que você compre o mesmo ingrediente duas vezes por distração. Comece por uma receita; não é necessário cadastrar a despensa inteira para perceber o que pesa no orçamento.
Dúvidas que aparecem na hora da conta
O ingrediente que já tenho em casa custa zero?
Ele pode não exigir uma compra hoje, mas teve um custo quando entrou na despensa. Para estimar o custo do prato, use o preço pago ou um preço de reposição identificado. Para calcular apenas o dinheiro necessário na próxima ida ao mercado, desconte o estoque disponível. São duas perguntas diferentes.
Dobrar a receita dobra o custo?
As quantidades dos ingredientes podem dobrar, mas confira a receita, o tamanho dos utensílios e o rendimento real. Energia e tempo de trabalho não variam sempre na mesma proporção. Refaça a ficha do lote que você realmente preparou, em vez de multiplicar tudo sem verificar.
Como começar sem balança?
Use unidades contáveis, pesos de embalagens e medidas que a própria receita informe. Registre onde há aproximação. Quando uma quantidade estiver apenas “a gosto”, meça o que costuma usar para melhorar a próxima conta. Uma estimativa honesta e identificada é mais útil do que um número com centavos que esconde suposições.
Peso cru, cozido e escorrido: qual entra na conta?
Use a mesma referência da compra e da receita. Se o frango foi comprado cru, com osso, o peso da bandeja não equivale ao de frango cozido e desfiado. Para calcular uma preparação que pede 400 g já cozidos, registre quanto o lote cru custou e quanto de carne cozida aproveitável ele produziu. Divida o custo do lote pelo peso aproveitado; aplique esse custo à quantidade usada na receita.
| Medida da receita | O que conferir antes de calcular |
|---|---|
| Arroz cru | Compare com o peso cru do pacote; a água incorporada no cozimento não é mais arroz comprado |
| Frango cozido e desfiado | Use o rendimento aproveitável do lote, depois de retirar osso e aparas |
| Milho ou atum escorrido | Consulte o peso drenado e a fração realmente utilizada |
| Xícara ou colher | Meça o peso daquele ingrediente no seu utensílio; volume igual não significa peso igual |
Não há um percentual único de rendimento para todas as carnes, panelas e preparos. Registre sua própria medição para substituir a aproximação da primeira ficha. Se reaproveitar caldo ou outro ingrediente do mesmo lote em duas receitas, distribua o custo uma única vez, sem somar o valor integral nas duas contas.
Da conta para o prato
Escolha uma receita do blog, registre o seu preço local e use a calculadora abaixo depois de somar os ingredientes. Em seguida, monte a semana com os cardápios prontos. O objetivo é sair com uma decisão concreta: qual preparação cabe na sua rotina, quanto rende e o que precisa entrar na próxima compra.
Quanto custa cada porção?
Some os ingredientes primeiro. Se incluiu energia ou embalagem, adicione ao total. O cálculo acontece só nesta página, sem enviar os valores.
